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A prática da boa vizinhança
Sex, 09 de Julho de 2010 08:54

José Anísio da Silva
Assistente Social

Os segmentos sociais através de seus militantes, dos próprios sujeitos envolvidos, profissionais da área e autoridades especializados conquistaram espaço na Gestão Pública. Exemplo vivo dessa realidade é o caso recente das mulheres que contam com uma Coordenadoria Especial no organograma da Prefeitura de Juiz de Fora, desde o dia 26/11/09. Merece todo o nosso reconhecimento. O que essa mesma experiência me aponta é que, pelo menos na área que atuo, percebo que precisamos avançar na maneira como as políticas públicas são gestadas.

Cada um por si. É uma prática política que tem de ser superada: os gestores, de um modo geral, até por muita dedicação e comprometimento, não estabelecem interlocuções com os colegas de outras políticas. (Há um muro entre as políticas). Ninguém conversa com o vizinho. Como nos apartamentos onde moramos.

Exemplo típico do que estou falando é a bem intencionada Casa dos Conselhos. Reúne vários conselhos de direitos, de formuladores de políticas públicas, mas o saldo de planejamento compartilhado, de metas comuns. Troca de experiências e proposições coletivas é insuficiente para enfrentar os desafios típicos de uma sociedade como a nossa, tão injusta e promotora de desigualdades sociais e econômicas.

A intersetorialidade entre nós é mera peça de retórica. Não sabemos pensar e muito menos trabalhar articuladamente com outras políticas. Fica como diz a música "cada um no seu quadrado" e assim não vamos a lugar nenhum. É preciso inaugurar uma nova e outra mentalidade na gestão pública: de sinergia, de articulação, de gestão compartilhada entre os diferentes setores. Até porque os recursos financeiros estão cada vez mais escassos e não chegam a quem deveria chegar que são as famílias mais pobres de nossa cidade.

Bom mesmo é se tivéssemos um setor que coordenasse todas as ações destinadas aos diversos segmentos sociais que merecem atenção do Poder Público: crianças, adolescentes, idosos, negros, pessoas com deficiência, mulheres. Mais do que um espaço físico que acolha os diferentes conselhos de políticas, é fundamental planejar coletivamente essas políticas.

Conversar mais entre si. Na verdade todas as políticas estão intimamente ligadas, estão sob a égide de uma mesma sociedade, sujeitos aos mesmos ditames de uma ordem econômica capitalista.

Um outro mundo é possível a começar pela revisão de nossa condução das políticas públicas através da vivência de conselheiros no dia-a-dia para a construção de uma nova sociedade e do fortalecimento da democracia.

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Última atualização em Seg, 09 de Agosto de 2010 15:29
 

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