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| Implicações da imagem corporal e da psicomotricidade em adolescentes em situação de vulnerabilidade |
| Qui, 24 de Março de 2011 09:56 |
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Leandro Barros Ribeiro
De acordo com a visão da área de Educação Física, tratamos como adolescentes, os indivíduos entre 10 e 19 anos de idade, levando-se em consideração a definição da Organização Mundial da Saúde e não de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, que para os efeitos desta lei, considera adolescente a pessoa entre 12 e 18 anos de idade. Em se tratando desta amostragem, podemos considerar que um percentual importante destes adolescentes encontra-se vinculado a projetos sociais. Visto isto, torna-se então muito relevante que os educadores sociais, encarregados de dirigir atividades para este grupo peculiar de indivíduos, se apoderem de informações sobre o trabalho com a Psicomotricidade e os conhecimentos básicos sobre Imagem Corporal, bem como seus desdobramentos técnicos e discussões. Frente às variadas possibilidades de definição de imagem corporal existentes na literatura e para efeito do direcionamento deste trabalho, iremos considerar primordialmente, a definição de Paul Schilder citada por Tavares e Turtelli ( 2007, p. 87-88 ): “Entende-se por imagem do corpo humano a figuração de nosso corpo formada em nossa mente, ou seja, o modo pelo qual o corpo apresenta-se para nós”. Destacaremos também como referência, a indagação feita por Cash; Pruzinsky, 1990 ( apud Amaral et al, 2007. p. 42 ): “A imagem corporal refere-se às percepções, aos pensamentos e aos sentimentos sobre o corpo e suas experiências, sendo caracterizada como uma qualidade subjetiva, dinâmica e determinada socialmente”. A construção da imagem corporal é contínua, ininterrupta, fazendo parte de toda a vida do indivíduo, do nascimento ao envelhecimento. Tavares ( 2003, p.73 ), afirma que “as primeiras experiências infantis são fundamentais no processo de desenvolvimento da imagem corporal, mas nunca paramos de ter experiências e de explorar o nosso corpo”. A autora continua, explicando que “isso evidencia também a importância de intervenções corporais no processo de desenvolvimento das pessoas, do nascimento à velhice”. ( Tavares, 2003, p.73 ). Esta afirmação enfatiza a necessidade de, dentro dos conteúdos programáticos dos programas e projetos sociais, estejam contempladas atividades que possam contribuir com a possibilidade de construção de uma imagem corporal coesa, sadia e promissora no adolescente, e que os profissionais encarregados pelo direcionamento destas propostas atuem realmente como facilitadores deste processo. Através do trabalho com a Psicomotricidade, os objetivos mais elevados de desenvolvimento integral do indivíduo, em especial do adolescente, podem ser alcançados. Nos dias atuais evidenciamos uma crescente valorização da cultura corporal, mais notadamente em relação às preocupações provenientes deste processo, por exemplo, em relação à aparência corporal. Paralelamente a este fenômeno, várias pesquisas vem apontando que, juntamente com o aumento do culto ao corpo, vem aumentando também a insatisfação das pessoas com seus próprios corpos. O ideal moderno de corpo é aquele Durante toda a vida de um indivíduo ele fica exposto às influências econômicas e mercadológicas, às imposições culturais, tecnológicas, sociais e as regras de conduta impostas pela sociedade. Não poderia ser diferente em relação à pressão da enorme indústria construída em torno dos desejos de beleza e exuberância corporal. Explicamos agora nossa manifesta preocupação anterior, ao abordar uma fase específica da vida de uma pessoa, onde ela talvez esteja mais vulnerável às influências relatadas, a adolescência. Durante a adolescência, o indivíduo, quando “percebe que o corpo que eles consideram como padrão a ser atingido está longe do seu alcance” ( AMARAL et al., 2007. p. 42 ), ficam suscetíveis a questionamentos distorcidos, condutas inadequadas e até mesmo ao aparecimento de transtornos psíquicos, como a anorexia nervosa e a bulimia. Muitos outros comportamentos prejudiciais também podem ser observados, como por exemplo, evitar expor o corpo ao olhar do outro ( e às vezes ao próprio olhar ), evitação de determinadas situações sociais expositivas, evitação também do uso de roupas mais justas e/ou curtas, evitação de contato próximo com o outro e outras questões importantes, podendo chegar inclusive a comprometer seriamente a vida social e escolar deste adolescente. Em se tratando de situações de vulnerabilidade, defendemos a necessidade de se aplicar os conhecimentos adequados de Psicomotricidade, seja em oficinas diversas, culturais ou esportivas, mas de cunho prioritariamente socioeducativo, junto aos adolescentes oriundos das camadas mais populares da sociedade, ou seja, aqueles inseridos em uma classificação de baixo nível socioeconômico, participantes de programas e projetos sociais, uma vez que os mesmos encontram-se ainda mais vulneráveis, convivendo continuamente com elevados fatores de risco ao seu desenvolvimento biopsicosocial. Nunca é tarde para dar-se início aos processos de aprendizagem e aprimoramento psicomotor. Conforme defende Almeida ( 2006. p. 25-26 ), alunos mais jovens, alunos adultos, alunos em processo de inclusão, alunos em salas especiais, todos podem aproveitar-se dos ambientes educativos para que as concepções do trabalho psicomotor possam ser ampliadas a fim de transformar realidades mais pobres de ações e de execuções em ambientes ricos de pressupostos educativos. Fazendo-se uso de estudo e planejamento, bons trabalhos de estimulação psicomotora e de desenvolvimento da imagem corporal podem ser elaborados para os adolescentes pertencentes aos programas e projetos sociais. De acordo com PEREIRA et al., ( 2009. p. 253 ), “o nível socioeconômico é apontado como importante variável no estudo da insatisfação com a imagem corporal em crianças e adolescentes”. Destaca ainda, “a carência de estudos que investiguem a relação entre percepção da imagem corporal e o nível socioeconômico, bem como a importância de se conhecer essa relação para o trabalho com crianças e adolescentes”. Dito isto, acreditamos ser muito importante o investimento dos programas e projetos sociais, através de seus educadores, em atividades psicomotoras antenadas com a preocupação com o desenvolvimento da imagem corporal, principalmente dos adolescentes do mundo de hoje. A orientação de uma intervenção profissional competente pode ajudar a prevenir o aparecimento de distúrbios ligados à imagem corporal, como a anorexia nervosa, a bulimia, o uso de esteróides anabolizantes e outras drogas e a preocupação excessiva com o peso e as formas do corpo. Através de exercícios psicomotores pode-se induzir à melhoras na fala, na leitura e na escrita, minimizando outros distúrbios de aprendizagem como a dislexia, a disgrafia e a discalculia. Enfatizamos também a necessidade de, indissociavelmente, todos os profissionais envolvidos nos processos utilizarem um componente essencial em qualquer aprendizagem, a afetividade. Em um sentido amplo, a afetividade inclui sentimentos, emoções, paixões, estado de humor e interfere substancialmente na aprendizagem e na construção da identidade de uma pessoa e da sua imagem corporal. Temos que trabalhar socioeducativamente junto aos adolescentes, principalmente aqueles em situação de vulnerabilidade social e econômica, fazendo uso indiscriminado da afetividade. Todos merecem ser respeitados e tratados com dignidade. Conforme explicam Tavares e Catusso ( 2007. p.79 ): Texto resumido. Referências bibliográficas e texto completo disponível em: |
| Última atualização em Qui, 28 de Abril de 2011 14:46 |
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