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Não! Não é TPM, menopausa ou uma bipolaridade...
Sex, 21 de Outubro de 2011 09:12

Por Luciana Krempser da Silva
Psicóloga do Setor de Segurança e Medicina do Trabalho SESMT/AMAC

Mulheres percorrem diversas especialidades médicas à procura de uma explicação para tantas dores, cansaço, angústias. Precisam de cuidados?! Claro! Precisam de muitos cuidados. O diagnóstico: estresse, ansiedade e depressão. Quando não evolui para quadro psicossomático ainda mais grave como o câncer.


“A psiconeuroimunologia é uma Ciência nova baseada num conceito crucial. Nossa mente e emoções influenciam profundamente nossa saúde física. Acredita-se que a sensação do estresse, ansiedade, depressão contribuem para o câncer e outras doenças.” Dra. Odilza Vita.


Tal situação se explica, observando, com atenção, a sobrecarga de trabalho da maioria destas mulheres. Faça chuva ou sol, acordam cedo, levam seus filhos, ainda dormindo, para as creches. Quando não a pé, em conduções sem condições. E, com o coração nas mãos, os deixam. E, então, assumem uma carga horária de 8hs de trabalho.


Com objetivo de complementar renda familiar ou arcarem sozinhas com esta. Visto o crescente número de “mães solteiras” ou abandonadas que, sem escolha, não vêem outra opção.


A sobrecarga acontece pois não deixam de cuidar de afazeres domésticos: lavar, passar, arrumar, cozinhar, fazer compras, preocupar, educar, acalentar e cuidar dos filhos, casa, marido. Ah, se ainda conseguirem, de si mesmas.


São mães que deixam seus filhos para cuidar de outros filhos. São filhos que, muitas vezes, ficam a mercê desse “abandono”, nas ruas, nas drogas.... Não se pode fechar os olhos. É realidade!


Atualmente, vêm acontecendo, e com sucesso, reivindicações de redução de carga horária sem redução salarial para determinadas categorias (como aprovada para os assistentes sociais). Luta justa, devido ao estresse gerado no desenvolvimento dessas funções. Mas, seria ainda mais justo avaliar essa necessidade para todas as mulheres ou mães. Não por ser sexo frágil. Até porque a mulher já provou que não o é. Assumindo, com nobreza, trabalhos que, antigamente “só os homens poderiam”.


Os machistas devem nos apoiar... Mas as feministas também deveriam. Continuando a defender a liberdade, as conquistas, salários justos, mas não deixando de entender que não é só cultural a questão da mulher como mãe, protetora, “dona de casa”, cuidadora de filhos e marido. Mas, também, instintiva sua sensibilidade e capacidade de zelar e amar.


Isso sem mencionar gestação, amamentação, alterações mensais de hormônios e humor, e também seu corpo mais delicado. Caberiam tantos outros argumentos mas, para não me prolongar, fico por aqui. Por tudo isso a mulher merece reconhecimento, valorização e TEMPO.


Sendo mulher, deixo aqui, uma reivindicação de redução de carga horária para o desenvolvimento profissional. Refletindo, com isso, em menos crianças nas ruas, relações mais saudáveis, trabalho com maior rendimento, qualidade e satisfação. Maior oferta de emprego. Enfim, qualidade de vida e um mundo melhor.

Última atualização em Seg, 07 de Novembro de 2011 09:25
 

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