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Por Iara Lucia Velloso
Gerente de Desenvolvimento de Recursos Humanos da Amac
Vivemos na atualidade num mundo chamado de “sem fronteiras”, as distâncias são virtuais, as relações por vezes instantâneas (num clique do mouse). Atualmente, a lógica do mundo tem sido a da busca da sustentabilidade a nível pessoal, profissional e organizacional.
Com as mudanças aceleradas do mundo contemporâneo, o ser humano tem que arregimentar ferramentas para sua adaptação ao seu meio, seu habitat.
No ambiente corporativo este cenário se reproduz, o mercado profissional, cada vez mais exigente, busca talentos que dêem conta de sua busca pela sustentabilidade.
Os profissionais, além das competências técnicas (que o conhecimento acadêmico deveria fornecer), devem ter em mente que aliado a este saber deve vir a capacidade de interagir, um olhar holístico, saber se expressar, ter controle emocional, provocar e ser provocado pelas situações de decisão, dentre outras competências.
A corrida pelo “adquirir” conhecimento se evidencia no número crescente de faculdades sendo abertas nos últimos anos. As pessoas pensando estarem preparadas se lançam no mercado de trabalho, já que se consideram devidamente “treinadas” para a execução de tarefas inerentes ao desenvolver profissional. Somam-se a ainda os trabalhadores, já inseridos a mais tempo no ambiente organizacional; que, mesmo com mudanças tão bruscas ocorrendo nas relações de trabalho (era da empregabilidade), não se dão conta de que o agir profissional deve ser constantemente repensado.
Quando se deparam com problemas cotidianos, que exigem mais do que o conhecimento acadêmico, não sabem como agir e/ou por outro lado tomam decisões precipitadas movidas por tecnicismo que não contemplam as questões complexas dos relacionamentos humanos. O “saber” acadêmico por si só não sustenta o trabalhador no cotidiano profissional, deveria estar agregado, aos conhecimentos técnicos, às competências comportamentais.
Não podemos esquecer que as organizações são movimentadas por pessoas e para lidar com estas exigem-se condições para além de técnicas acadêmicas ou saberes avançados de tecnologias da informação, precisa gostar de lidar com gente.
O profissional que ocupa cargo estratégico dentro de uma empresa ou organização deveria ter conhecimento de administração e mediação de conflitos, relações interpessoais, motivação, enfim de gestão de pessoas.
Os processos produtivos, seja de bens ou serviços, se dão através da participação das PESSOAS e as PESSOAS são movidas por trocas positivas ou negativas (dependendo do perfil de cada um). Os gestores devem estar atentos para não se engessarem numa burocracia excessiva sob pena de não interagirem e não conseguirem adesão de seus liderados para suas propostas de trabalho.
E os profissionais de maneira geral (independente do cargo que ocupam) devem estar preparados para o “estar” no mercado de trabalho, entendendo que as pessoas precisam das outras para desempenhar suas funções (ninguém funciona sozinho), precisam interagir, trocar saberes, ensinar e ser ensinado, se disponibilizar. Pessoas que não tem capacidade de se relacionar, são rudes na expressão, reagem com descontrole emocional frente aos problemas cotidianos, tem humor variável, deve repensar seu desenvolvimento profissional. Sob a ótica da construção coletiva do trabalho espera-se que de fato as relações profissionais sejam de parceria, de um lado a remuneração e de outro o talento, permeada pela respeitabilidade, a educação e produtividade.
Existe uma fala comum, utilizada pelos profissionais de Recursos Humanos, que diz que as pessoas são contratadas por suas competências técnicas e são demitidas por falta de competências comportamentais. Por isso concordo com o ditado: “Em terra de cego quem tem um olho é Rei.
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